Onze de agosto, dia do advogado - Por Arimar Souza de Sá

Onze de agosto, dia do advogado - Por Arimar Souza de Sá

Para falar sobre os advogados só mesmo recorrendo à mitologia grega, como fizera Camões, para estruturar o seu poema épico, “Os Lusíadas”.

Preciso, agora, pedir à Diana, a Deusa do Amor, para ajudar-me a percorrer este intrincado labirinto onde habitam essas feras, no bom sentido, meus colegas advogados.

Ser advogado, puro, cardinal; penso, é, antes de tudo, creditar-se como homem incomum, que aceita, no cotidiano, a tarefa e os desafios da defesa de pensar o futuro, além dos limites de sua própria intelectualidade e condição física.

Sobral Pinto, o respeitável advogado dos repelidos da sorte, costumava dizer: “ser advogado, às vezes, é uma circunstância. Viver da advocacia sem enveredar-se pelo apetite de um emprego fixo é, antes de tudo, uma eleição, para quem deseja percorrer a vida, acordando sob espanto e dormindo pensando na próxima causa”.

Assim, a missão do advogado é sempre de desafio, nobre e significante, quer seja ele puro como Rui Barbosa ou controverso e supostamente "chicaneiro" como Cristiano Zanin.

Creio, e é verdadeiro, à medida que um povo tem bons juristas, parte dali a melhoria do seu escopo histórico. E assim, estamos nesse caminho.

Na história da humanidade, vários edifícios foram desmoronados: o Império Romano, o Muro de Berlim, o Comunismo Russo e domínio imperialista na Inglaterra.

Não obstante, a estrutura do direito romano permaneceu inoxidável para chegar aos nossos dias como os primeiros sopros que dignificaram o homem no respeito ao direito civil.

E, diante disso, definir o dia a dia da trajetória dos operadores do direito, quando na análise da essencialidade infere-se um corpo de problemas a serem resolvidos com prazos curtos, inteligência e livre convencimento ao magistrado, imagino ser assim:

Durante o ano, comparece perante o juiz, de terno para peticionar, contraditar, ouvir testemunhas, com independência e recato, com lados para sentar, palavras medidas quase sempre tensas;

Somos advogados!

Nos gabinetes, às voltas com as leis, agendas de audiências, elabora contratos, distratos , pareceres e informações...

Somos advogados!

Na Delegacia para garantir o pão, atuando na defesa, acompanhamos os homens que se desviam, se atropelam, se dilaceram e se matam, na própria estupidez de seus atos. É o lado “pauleira” da vida...

Somos advogados!

No Tribunal do Júri, o palco dos espetáculos dos artistas do direito, defende o justo ou o injusto, na apertada esteira em que o promotor coloca a situação do réu; assimila pancadas e se prepara para o revide falando por eles às suas próprias razões...

Somos advogados!

Aos sábados, convidamos os amigos para feijoada, adoramos contar piadas e, massageando nossa vaidade, falamos do processo, das sentenças fantásticas, sobretudo das que nos agradaram...

Somos advogados!

De repente, resolvemos deixar a banca, engordar a anca e nos tornamos juízes, promotores, procuradores, delegados...

Somos advogados!

Aos domingos, católicos vão a missa agradecer a Santo Ivo o protetor das causas ganhas. Ajoelhamo-nos e rezamos com fervor, pedindo inteligência, sorte e desenvoltura na próxima contenda...

Somos advogados!

Nos feriados, nas madrugadas adentro, enfiamos a mente na lei mais recente, no pecado da lei e na constitucionalidade. Enveredamos pela doutrina, jurisprudência e tratados. Infiltramo-nos no imo da essência da justiça, do Direito Amparado...

Somos advogados!

Durante o ano, no vai e vem do Fórum, tudo aconteceu. Agravo de instrumento intempestivamente protocolizado, recursos negados, prazos exíguos, audiência adiada. Cruz credo!...

Somos advogados!

A mente se energiza nos conceitos, princípios da lógica formal e tome palavras difíceis do brocardo latino. Silogismo Aristotélico, na hermenêutica na interpretação literal teleológica e finalística do direito...

Somos advogados!

Às vezes, somos anjos, noutras tantas, demônios e, na maioria das vezes, nem demônios nem santos. ADVOGADOS.

Aos senhores parceiros do destino, náufragos, da dor parida da ação deletéria dos mandantes do País, o meu desejo é que sempre se distanciem dos ardis da nefasta da corrupção e jamais se deixem invadir e hospedar em si a voracidade do poder pelo poder.

E como estamos nesta grande nau, obreiros que somos do direito, façamos a nossa escolha, transformando-nos em construtores de uma nação melhor.

E, com nossa espada de luz, façamos uma cruzada forte de respeito e proteção à classe, capaz de rebater o estratagema de tantos quantos se arvorarem inatingíveis ou querendo nos atingir.

Que cada um de nós, na defesa de nosso oficio, sejamos firmes e que essa firmeza venha da obediência às normas emanadas do assento constitucional.

E lembre-se, uma das formas de destruir um País é desconstruir o “estamento” jurídico, tendo como exemplo a nossa vizinha Venezuela que, desrespeitando as leis, surtou a dignidade nacional de seu povo.

Enfim, que o nosso evangelho, seja como o da obra de Camões, os Lusíadas, não se contamine, jamais, com a sarna dos vendilhões dos templos.

PORQUE SOMOS ADVOGADOS!

No mais, salve o nosso dia. Vamos à festa!