Marcos Rocha tenta intimidar imprensa, deputados e dar início a um “estado policial”

Marcos Rocha tenta intimidar imprensa, deputados e dar início a um “estado policial”

Porto Velho, RO - O governo de Marcos Rocha (PSL) começou de fato no dia 4 de janeiro, data em que voltou de Brasília e passou a nomear seus assessores. O governador, que acelerou a própria cerimônia de posse para acompanhar a de Jair Bolsonaro, ficou chateado com as críticas que foram feitas por parte da imprensa e para justificar a viagem injustificável, arrumou uma agenda, também às pressas, em Brasília.

Visitou alguns militares, mostrou uma maquete eletrônica da reforma de um hospital, e nomeou retroativamente, no cargo de secretária de Estado, sua esposa, que o acompanhou na viagem, recebendo diárias e passagens pagas pelo governo. 

O episódio, que criou o primeiro constrangimento ao governador, não passou batido. Mas, ele acredita que conseguiu justificar tudo para a população, já que em seu perfil no Facebook, seus apoiadores aplaudiram e acharam o máximo ele ter visitado um ministério na capital federal.

O mesmo se repete em algumas poucas postagens que ele fez desde que assumiu, contrariando sua promessa de campanha de dar total transparência aos atos de seu governo. 

Rocha desconhece os algoritmos usados pela rede social, que criam uma bolha que vai se fechando a cada dia. O prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (PSDB) sabe bem como funciona.

Quando assumiu, com a popularidade em alta, era uma “estrela” do Facebook, hoje amarga uma baixíssima audiência e nas poucas vezes que tem se manifestado, é alvo de críticas pesadas por parte da população. 

Porém, o governador deu uma dura missão para o secretário de Defesa e para o novo diretor da Polícia Civil. Em discurso na posse do diretor Samir Fouad Abboud, Rocha determinou que a Polícia Civil “deve monitorar toda notícia falsa ou toda notícia que sair”.

E de quebra ainda deu uma pequena aula sobre jornalismo, “primeiro analise: é verdade ou é mentira ? Porque, a partir do momento que a gente espalha, você  está espalhando uma mentira, e a mentira pode ser destrutiva.

A sorte é que eu tenho visto é que quando alguém, inclusive a mim, tenta agredir com notícias falsas, o que tô achando muito bonito , por isso devo honrar cada vez mais a população que está defendendo (SIC). E quando alguém critica, vai no Face e vê:  não é ninguém, é falso”. 

A fala de Marcos Rocha foi gravada, confira na íntegra:

Mas, além do governador estar  às voltas com parte da imprensa livre, ele também está apoiando o único deputado estadual do PSL para à  presidência da Assembleia Legislativa, na eleição que acontecerá dia 1º  de fevereiro, quando os parlamentares serão empossados.

E se o chefe quer mandar “agir” contra críticos, seus empregados também seguem na mesma toada.

Nesta sexta-feira, o advogado Richard Campanari, cuja mãe Helena é chefe do cerimonial do governo e a sócia, Erika Gerhardt,  é adjunta da Casa Civil, postou uma ameaça direta a 17 deputados estaduais que estariam “fechados” para eleger a nova Mesa Diretora.

O advogado postou a imagem de um par de sandálias com os personagens minions atrás das grades com a legenda, “Entendedores entenderão!!! Encomendando 17 pares e enviando 1 para emoldurar!!!”, numa clara mensagem que os parlamentares estariam praticando alguma atividade nada republicana em relação à eleição.

Se a idéia era intimidar, o tiro saiu pela culatra. Apesar de não se manifestarem publicamente, internamente a postagem de Campanari deixou os parlamentares indignados. 

A total falta de experiência política de Marcos Rocha, seu discurso moralizador e ações de intimidação, sutis como um elefante em uma loja de cristais ferem a democracia e a transparência.

Rocha só fala com a imprensa chapa-branca, aquela que recebe verbas de publicidade e bajula o governador em todas as notícias. Críticas ou questionamentos ele simplesmente ignora e quando o colocam em alguma situação constrangedora, classifica como “fakenews”.

No início pode até ser que funcione, afinal costuma-se fazer um panorama de governo após os 100 primeiros dias. Mas se logo na largada está desse jeito, a tendência é piorar mais adiante.