Jovem tetraplégica é exemplo de superação e empreendedorismo

Jovem tetraplégica é exemplo de superação e empreendedorismo

Há três anos, Kallyna Sampaio começou uma batalha que nunca tinha imaginado enfrentar. Ela tinha apenas 22 anos quando decidiu fazer comemorações antecipadas de aniversário, que já estava chegando. Kallyna dormia no branco traseiro do carro, enquanto um amigo dirigia. O acidente aconteceu tão rapidamente, que ela só acordou depois que o carro capotou, após cair em uma ribanceira. Imediatamente ela percebeu que não conseguiria mais mexer o corpo.
 
Depois de passar por alguns hospitais, descobriu que o amigo tinha falecido e teve a confirmação de que estava tetraplégica. “Foi muito difícil. No começo você quer desistir, você acha que sua vida acabou, que não tem mais como você continuar. Você vai ao fundo do poço”, conta Kallyna.
 
Sempre muito ativa, a estudante de direito precisou se dedicar ao tratamento por um bom tempo. O esforço e empenho da família em ajudá-la também foram fundamentais para a recuperação.  O trabalho como assistente jurídica, a faculdade, as festas, tudo isso ficou de lado, até ela perceber que precisava recomeçar. “Eu tive que começar de novo, me reinventar e ter que fazer outras coisas, porque eu não tinha condições de voltar a trabalhar, a exercer a mesma função. Eu comecei a ver também que essa nova vida que eu ia ter que encarar era muito cara. Cadeira de rodas é muito cara, remédio, tratamento, fisioterapia”, conta ela.
 
Entrou em cena, então, a Kallyna empreendedora. Afinal de contas, apesar de todos os percalços, a vida não podia parar.  Ela começou a vender cosméticos e promovia eventos. Fazia bazares para arrecadar dinheiro para os tratamentos, mas logo percebeu que esse não era o caminho certo para todo o seu potencial.
 
Em 2017, teve a ideia de unir a paixão ao trabalho. Passou a vender sapatos pela internet, por meio das redes sociais. “Eu conhecia muita gente que vendia roupas, cosméticos, bijuteria, mas não conhecia ninguém que vendia sapatos, e delivery, pela internet. Então eu pensei assim: é uma coisa que eu amo muito e talvez dê certo”, conta a empreendedora.
 
E deu muito certo. A popularidade nas redes veio pouco depois do acidente, quando Kallyna passou a compartilhar sua história e rotina com tratamentos nas redes sociais. A moradora de Vicente Pires, no Distrito Federal, também chegou a participar de um concurso de beleza e ganhou o título de Miss Cadeirante DF, em 2017. O seu canal no YouTube tem hoje 1,9 mil inscritos e o perfil no Instagram, quase 24 mil seguidores.
 
Para a empreendedora, que começou a trabalhar aos 16 anos, fazer parte do mercado de trabalho representa independência. “Quando a mulher se coloca no mercado de trabalho, é capaz de exercer sua profissão, seja em uma empresa, seja empreendendo, ela consegue se firmar e consegue conquistar tudo o que ela quer. Nós somos muito inteligentes, espertas, sabemos atingir o público como ninguém”, comemora ela.
 
Hoje, aos 26 anos, Kallyna está mais ativa do que nunca. Continua investindo, com a ajuda da mãe, nas vendas dos sapatos. Para o futuro, o plano é abrir uma loja. E a história de superação não para por aí: ela está no último semestre da faculdade de direito e pretende se dedicar também ao rugby, esporte recém descoberto em sua vida. Agora, o tratamento continua e a luta pela independência também.