A oposição iraniana acusou o governo de prender sete de seus ativistas nesta segunda-feira, 28, um dia após os confrontos que deixaram ao menos oito mortos. Entre os detidos estariam assessores do ex-presidente Mohammed Khatami e do líder da oposição, Mir Hossein Mousavi.
Segundo o site de parlamentares da oposição 'Parlemannews', os presos são o ex-ministro Morteza Haji e seu assessor Hassan Rasuli, ambos próximos a Khatami. Outros três conselheiros de Mousavi estariam detidos: Ali Reza Beheshti, Gorban Bezadian-Nejad e Mohammad Bagerian.
Mais cedo, a polícia usou bombas de gás lacrimejante para dispersar manifestantes que estavam reunidos em frente ao hospital no qual está o corpo do sobrinho de Mousavi, morto nos protestos de ontem.
O Conselho Supremo da Segurança Nacional disse que oito pessoas morreram em manifestações contra o governo ocorridas no domingo, durante a celebração xiita da Ashura. O Ministério da Saúde disse que mais de 60 pessoas ficaram feridas em Teerã.
Um site moderado disse na segunda-feira que o corpo do sobrinho de Mousavi sumiu do hospital. "Não podemos realizar o funeral até que o corpo do meu irmão seja encontrado", disse outro sobrinho do político reformista, segundo o site Parlemannews. Há previsão de confrontos durante o enterro do jovem.
Críticas
O clérigo opositor iraniano Mehdi Karroubi criticou hoje duramente o regime iraniano, ao qual acusou de assassinar várias pessoas durante a festa sagrada da Ashura, realizada no domingo em meio a enfrentamentos entre as forças de segurança e grupos de opositores, nos quais oito pessoas morreram.
Em comunicado divulgado pelo site reformista "Jahannews", o ex-candidato à Presidência perguntou "o que aconteceu com um sistema
religioso para matar pessoas durante o dia santo da Ashura".
"Atacaram com uma selvageria inexplicável as pessoas, as feriram, detiveram e inclusive mataram várias", afirmou Karroubi, um dos três
candidatos derrotados nas presidenciais de junho, origem da atual crise política e social no Irã, a pior nos 30 anos da Revolução Islâmica.
"Após as eleições de 12 de junho, um grupo, desobedecendo a Constituição iraniana e as ideias do falecido aiatolá Khomeini organizaram estes amargos eventos", denunciou.